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  ADUR  Informa

ANO  22

Nº 20

22/01 A 02/02

2001

FILIADA À CUT


       ADUR Informa - publicação da Associação dos Docentes da UFRuralRJ. 
       Conselho Editorial: Áurea Echevarria, Francisco de Assis da Silva, Nídia Majerowicz, 
                                          Ricardo L. L. Berbara e Valdomiro Neves Lima.
       Jornalistas Responsáveis: Regina Rocha (Reg. 16269/MTb) e 
                                                     Fortunato Mauro (Reg. 20732/MTb).
                 As matérias não assinadas são de responsabilidade do Conselho Editorial.


Mobilização derrota perseguição a presidente do Andes-SN

Pauta de sessões de conselhos universitários de diversas universidades, moções e severas críticas institucionais, e um abaixo assinado que mobilizou a comunidade acadêmica. Tudo isso fez parte da resistência à retaliação ao presidente do Andes-SN, Roberto Leher, com a recente tentativa de impedimento do exercício do seu mandato sindical, seguido de inaceitável corte de salário e ameaça de demissão. A repulsa à truculência do governo, articulada com a reitoria da UFRJ, gerou uma pressão que chegou ao Congresso, ao MEC e ao Ministério do Planejamento. O movimento rompeu a intransigência da gestão Vilhena na UFRJ e do MEC. O reitor retrocedeu e não haverá corte. Leher será cedido à UnB onde conseguirá exercer seu mandato sindical.

Para o presidente do Andes-SN, há um recrudescimento da repressão aos movimentos. Porém, a reação que o caso suscitou aponta a possibilidade de enfrentar o governo. E ainda coloca em pauta a questão do cerceamento do exercício de mandato classista. Pressionado pela repercussão do caso, o MPOG já aceita negociar a modificação do RJU – feita por FHC na reforma de 97 – que restringe o direito. (Páginas centrais e Editorial)

Andes-SN realiza XX Congresso em fevereiro, no Rio

São esperadas 500 pessoas, entre delegados e observadores, para o próximo Congresso do Andes-SN. Desta vez será realizado no Rio de Janeiro, de 15 a 20 de fevereiro. Na abertura, dia 15, às 18h, haverá um ato público comemorativo dos 20 anos de luta, conta Lia Reis, segunda vice-presidente do Andes-SN.

Além de temas como o movimento docente e conjuntura, o Congresso discutirá, políticas sociais, setoriais (setor das federais, estaduais e particulares) e questões organizativas e financeiras. “Na realidade, estaremos discutindo política social, nacional e educacional, sindical, agrária, de Ciência e Tecnologia, de comunicação, de seguridade social, etnia, gênero e classe”, explica Lia Reis, lembrando que os recentes ataques por parte do governo à organização sindical são mais elementos para fomentar a discussão acerca da conjuntura e política sindical.


Páginas 2 e 3

Editorial

Resistir, reagir e agir é preciso!

A primeira edição do ADUR INFORMA de 2001 traz para seus leitores uma cobertura sobre a perseguição desencadeada ao Presidente do ANDES-SN, professor Roberto Leher, pela administração da UFRJ. Longe de ser uma questão pessoal ou local daquela universidade, este episódio faz parte de um amplo conjunto de ações articuladas pelo governo FHC para desmontar organizações sindicais e populares que resistem, denunciam e combatem a implantação do neoliberalismo em nosso país. Sindicatos fracos e cooptados, exército de desempregados, precarização das relações de trabalho, baixos salários, privatização dos serviços públicos, ou seja, mercantilização das necessidades básicas do cidadão (saúde, educação, segurança) são condições essenciais para a maximização dos lucros das megacorporações, reino do céu incessantemente buscado pelo neoliberalismo no mundo globalizado.

A supressão dos direitos trabalhistas das lideranças sindicais dos servidores públicos, aprovada por FHC ao modificar o RJU, é o pano de fundo jurídico do processo contra o professor Roberto Leher. A face positiva deste triste episódio de “caça às bruxas” veio da forte reação da comunidade universitária e de parlamentares que se mobilizaram para impedir que a arbitrariedade se consumasse, mostrando mais uma vez que podemos e devemos agir e reagir para garantir nossos direitos.

A implantação do modelo neoliberal nas IFES, no entanto, tem várias facetas e sutilezas. Dentre os desafios que deverão estar na pauta do ANDES-SN ao longo do ano, destacam-se o projeto de Lei do Emprego Público, a necessidade de abertura de concursos públicos para o quadro docente e a crescente e diversificada privatização interna das IFES. O projeto de Emprego Público do governo fere a liberdade acadêmica ao retirar a estabilidade dos futuros docentes, além de suprimir direitos como o da aposentadoria integral. Docentes com os mesmos deveres e obrigações estarão lado a lado, porém os direitos serão diferentes.

Como se vê, 2001 exigirá da diretoria e da base da ADUR-RJ um trabalho político cuidadoso, mobilização e coragem para enfrentar questões delicadas, complexas e fundamentais para a manutenção do caráter público, da qualidade e da gratuidade em todos os níveis. Mãos à obra!

Jurídico Informa: Fique atento!

1.Monitoria x tempo de serviço:

Os professores que têm tempo de monitoria averbado junto à UFRRJ devem ficar atentos pois há um movimento da administração para cancelar a averbação realizada. Professores que no passado exerceram atividade de monitor, ainda que em outras instituições de ensino, devem levantar os documentos pertinentes junto às instituições respectivas e procurar a ADUR deixando nome completo, endereço, telefone, etc, para posterior contato. A entidade preparará um documento específico, através de sua assessoria jurídica, para que seja realizado um pedido de averbação junto ao DP da UFRRJ.

2.Professores que já recebiam insalubridade antes do RJU (dezembro/90):

Procurem a ADUR para informar se já requereram a contagem diferenciada do tempo de serviço anterior com base no SB-40 – norma que dá direito a contagem com acréscimo do tempo de serviço em condições insalubres ou perigosas. Importante deixar dados para contato pois a entidade, através de sua assessoria jurídica, tomará providências coletivas, de ordem administrativa e judicial, para tentar equacionar esta situação. Este assunto interessa sobretudo aos professores ativos, pois esse tempo averbado somar-se-á para fins de futura aposentadoria.

3.Licença prêmio:

Aqueles docentes que ainda não gozaram a licença prêmio a que fazem jus devem procurar a ADUR, e deixar seus dados pessoais, caso tenham interesse em transformar o tempo da licença em contagem de tempo de serviço. É possível que a ADUR possa ajuizar uma ação pedindo que a licença não gozada seja computada em dobro para fins de aposentadoria.

4.Assembléia de 14/12/2000 aprovou propor ação judicial pelos 10,87%.

Agenda 2001

25 a 30/01- Porto Alegre - I Fórum Social Mundial “Um outro mundo é possível”.

05 a 09/02 - Havana/Cuba - Pedagogia’2001 – Encuentro por la Unidad de Los Educadores Latino-Americanos – Promoção da AELAC

15 a 20/02/2001 - Na UERJ - XX Congresso do Andes-SN

 Investida  reedita ditadura

O atual presidente do Andes-SN, Roberto Leher,assumiu seu mandato em maio do ano passado. Desde então, vem sendo vítima de perseguição tanto por parte da diretora da Faculdade de Educação, Speranza da Mata, como do reitor da UFRJ, José Vilhena e do Ministério da Educação.

Leher representa a oposição não só à  diretora de sua unidade – interventora nomeada por Vilhena sob severas críticas do corpo social – como ao próprio reitor, imposto pelo MEC à comunidade da UFRJ nas mesmas circunstâncias. Depois do fim da última greve na UFRJ, Leher cumpriu a reposição de aulas; foi liberado pela Congregação da  sua unidade para exercer mandato sindical e, simultaneamente, se ocupar de seus projetos de pesquisas. Mesmo assim, a diretora atribuiu-lhe 90 dias consecutivos de falta, tentando caracterizar abandono de emprego. O ardil levou ao corte do salário e à possibilidade de demissão.

No entanto, Speranza, Vilhena e Paulo Renato jamais poderiam esperar a grande reação. O abaixo assinado organizado pelo Sindicato obteve a adesão de centenas de professores de universidades de todo país. Assinaturas de 75 parlamentares (muitos da base governista) constaram do documento em protesto à perseguição, dirigido à reitoria. Em seu pronunciamento no Congresso, o senador Ademir Andrade (PSB/PA) relatou as dificuldades do funcionalismo e citou a perseguição ao presidente do Andes-SN. “É evidente que as ameaças contra ele fazem parte de todo um processo de desmonte dos direitos dos servidores públicos”, disse em nota a ADUFRJ o deputado federal Milton Temer (PT/RJ).

 Reitor retrocede

Além de inúmeras iniciativas das entidades – como a moção encaminhada pela ADUR-RJ à reitoria com cópias para a ADUFRJ e o Andes-SN – houve também uma grande reação institucional. Diversos conselhos universitários – com perfis diferenciados, lembra Leher, - se manifestaram em apoio ao presidente do Andes-SN, como o da Unicamp, UFF, UFPA, UFJF ou UFSCar. Somadas as inúmeras notas de professores manifestando solidariedade e crítica à relação que o governo estabeleceu com a entidade, o resultado é um processo de mobilização que o presidente do Andes considerou de extrema importância para o desfecho do caso.

No fim do ano passado, Vilhena acabou por afirmar que não concordava com a perseguição ao mandato classista e que teria abonado as faltas dadas por Speranza. Apesar disso, o contracheque de Leher veio “zerado”. Na última sessão do Conselho Universitário de 2000, o reitor sustentou – desta vez em nota oficial – que Leher teria garantido o pagamento do mês de dezembro em folha suplementar. E que negociaria com o MEC a licença para o presidente do Sindicato, sem prejuízo da remuneração.

Com a interferência dos conselheiros, articulada com as direções das entidades, a nota oficial registra: “A Reitoria da UFRJ defende intransigentemente o direito dos dirigentes sindicais de exercerem, em toda plenitude, sua representação sindical e, portanto, que a legislação deve ser interpretada garantindo a este representante todos os direitos dos funcionários públicos em pleno exercício”. É que por trás da retaliação a Leher estão modificações no RJU que penalizam a quem exerce mandato classista com a perda – não só de vencimentos – mas também de benefícios previdenciários. Anteriormente, Vilhena afirmara que o MEC havia autorizado a liberação do presidente do Andes-SN, mas de acordo com a nova legislação.

O salário, Leher acabou por receber. Na reunião com o MEC, porém, a solução que se encontrou para que possa exercer plenamente seu mandato passa pelo afastamento provisório da UFRJ.

 Cedido à UnB

Na reunião com o MEC no dia 8 de janeiro, representantes do Ministério e da UFRJ sustentaram que a licença com vencimento contrariaria o RJU – alterado por FHC com a reforma de 97. Apesar dos representantes do Andes-SN deixarem claro que a mudança no RJU é um explícito cerceamento das atividades sindicais, concordaram com uma solução política para o caso: uma cooperação técnica entre a UFRJ e a UnB. Leher ficaria cedido à Faculdade de Educação da UnB até o final do mandato e desenvolveria ali – perto da sede do Sindicato – suas atividades de pesquisa. Vale lembrar que esta solução já havia sido adotada na gestão anterior do nosso sindicato. Aceitando como solução circunstancial, Leher acredita que o melhor desfecho seria a reformulação do RJU, questão em pauta no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Certamente, muito em função da grande repercussão que seu caso ganhou e da imensa pressão da comunidade acadêmica. O que leva a certeza de que vale a pena reagir.

 Frutos da reação

A perseguição ao presidente do Andes-SN, da forma como vem acontecendo, é inédita na história da entidade. Para Leher, há um recrudescimento da repressão aos movimentos, como na criminalização que o governo tenta promover da luta dos sem terra, a perseguição às organizações dos trabalhadores, a repressão com violência às manifestações, o endurecimento da relação com entidades sindicais e a própria reforma do RJU – com medidas que o governo utiliza na hora que lhe convém, como neste caso. As usa em determinado momento que julgue necessário para bloquear a ação de dirigentes.

“O balanço que a gente faz é positivo. Primeiro, Vilhena foi forçado a abandonar as faltas e buscar alternativas que permitam que eu exerça o mandato de forma plena. Segundo, o fato de Vilhena ter desautorizado a diretora da Faculdade de Educação na medida em que abonou faltas e lançou a nota da reitoria”. Leher lembra que Vilhena raramente tem retrocedido e que a pressão,a capacidade de se indignar e a reação política mudaram a situação e mostram a possibilidade de alterar a política do governo.

Também coloca em pauta, diz o presidente do Andes-SN, a questão do cerceamento do exercício de mandato classista e os ataques que vêm acontecendo em outras categorias. Em recente reunião da Coordenação Nacional das Entidades do Serviço Público Federal com o MPOG, representantes do ministério indicaram que o governo aceitou pautar essa questão para buscar alternativas. O que Leher também relaciona como reflexo positivo da pressão.

 Repúdio

“As ações dessa direção marcaram o retorno ao campus universitário de práticas rejeitadas pela sociedade brasileira em geral e particularmente pela comunidade universitária nos piores momentos de ditadura (...) Decididamente não podemos permitir sob quaisquer hipótese que políticas repressivas e baseadas em processos de perseguição tenham espaço no meio acadêmico brasileiro.” Trecho da Moção da ADUR-RJ enviada à UFRJ

 Speranza diz que perseguição é mito

Procurada pelo ADUR Informa, a professora Speranza França da Mata, diretora da Faculdade de Educação, afirma que: “O chamado “corte” de freqüência - em verdade se traduz  na informação das faltas que vinham se sucedendo, desde agosto, apesar das várias solicitações verbais e por escrito ao Departamento, e uma solicitação por escrito à própria ANDES, de um simples documento justificador dessas faltas.

Não consta, no ano de 2000, das Atas do Departamento, onde o Professor Roberto Leher encontra-se lotado, nenhum registro sobre discussão, tampouco sobre deliberação de isenção de atividades de ensino.

(...) nenhum administrador público, por mero iniciante que fosse, incorreria em elementar infração, de embaraçar um direito assegurado por lei. Se de fato tivesse havido “intervenção” e, agora, uma “perseguição”, mitos artificiosamente inoculados, não caberia à vítima, muito mais fácil e objetivamente, sumarizar os ilícitos do opressor?  (...)A licença cabível ao professor, art 92 do RJU, a de afastamento para exercício de mandato classista, não foi solicitada.

Se a mesma não convém, por se tratar de licença sem remuneração com corte de outros benefícios, não é admissível, à custa de interesses pessoais, cometer qualquer administrador à improbidade administrativa, cuja infringência implica crime de responsabilidade civil.

Ao Administrador, um reles Diretor de Unidade, como se tem dito na imprensa, não cabe disponibilidade de concessão de lei, sobretudo quando se trata de atos vinculados – 30 dias consecutivos de falta configura abandono de emprego, cuja pena é demissão.

O direito ao exercício de mandato classista é indiscutível como qualquer outro direito. Direito é direito e deve ser respeitado. O foco da questão não é propriamente a liberação do ponto que, com certeza, é ilegal.  A questão é a conquista da licença com remuneração e garantias devidas.

Nem aos ministros e reitores, tanto menos aos reles diretores de Unidades, caberia concessão de lei, restritos que são aos foros da expedição de portarias. Talvez possa caber ao Presidente, com as recentes edições de medidas Provisórias, apoiado no regime de urgência e conveniência.”.

De companheiro a ministro

Acredite. Paulo Renato foi o presidente da Associação dos Docentes da Unicamp de 1979 a 1981 sucedendo seu primeiro presidente, José Vittório Zago. Durante seu mandato foi realizado o congresso de fundação da ANDES, em Campinas.

Um episódio marca o começo da carreira política do professor Paulo Renato: as eleições para a reitoria da Unicamp, em 1981. O educador Paulo Freire fora eleito reitor pela comunidade, o que gerou o descontentamento do governador biônico de São Paulo, Paulo Maluf. Este interviu e instalou-se a crise. Professores, servidores e estudantes se organizaram contra o governo, para fazer valer o resultado da consulta e o estatuto da universidade. Paulo Renato, contrariando seus pares, foi um dos articuladores de uma saída política que levou à Reitoria o professor e médico José Pinotti, que fora o 11º colocado na consulta. Por ter jogado a tábua de salvação para a ditadura, ganhou um  cargo de assessor de desenvolvimento universitário.

Meses depois foi chamado para ser secretário da Educação do governador eleito Franco Montoro. Como tal apresentou sua candidatura à reitoria da Unicamp. Só havia um problema: para ser candidato, segundo os estatutos da Unicamp, era necessário ser professor titular, ou MS-6.  Paulo Renato chegara aos quadros como MS-4.  Para ser titular, porém, ele precisava prestar concurso para MS-5 e aguardar mais três anos. Não perdeu tempo: articulou no Conselho Universitário da Unicamp uma mudança no Estatuto abolindo o interstício de três anos. Em seguida, fez concurso e foi homologado professor titular. A manobra foi possível por ser presidente do Conselho Estadual de Educação, condição a que chegara por ser secretário estadual.

Foi eleito reitor numa consulta onde o peso do voto docente valia 3/5 contra 1/5 para estudantes e 1/5 para servidores. Perdeu na consulta paritária organizada pela comunidade. Como reitor enfrentou uma grande greve de professores e funcionários em 1988. Esta obrigou-o a negociar com o governo Quércia a chamada autonomia das Universidades Estaduais Paulistas. Acabou por negociar mal e aceitar um índice do ICMS muito abaixo do que historicamente era repassado para a Unicamp. Nunca mais a Universidade recuperou as perdas.

Deixou a Reitoria da Unicamp e foi ser diretor-executivo do Banco Mundial. Foi nesta condição que se tornou ministro da Educação e não é outra a cartilha que norteia suas ações a frente da educação do país. Paulo Renato conhece como poucos o inimigo que o combate. Sua truculência, sabe ele, pode até não dar resultados, mas é do que dispõe. Afinal, carreiristas e vendidos foram-se quase todos na sua época. Os que ficaram a categoria já tratou de enterrar.


Página 4

De Olho na Mídia

Porto Alegre é aqui?

Os senhores da economia mundial se preparam para mais um festim em Davos, na Suiça onde farão acordos comerciais de alta periculosidade para os povos. Enquanto isso, a resistência ao neoliberalismo se organiza em um debate que reunirá, em Porto Alegre, representantes de ONGs, sindicalistas e partidos de esquerda de todo o mundo. O chamado Fórum Social Mundial se propõe a discutir alternativas ao neoliberalismo nas portas do novo milênio. Daqui para adiante acontecerá simultaneamente às reuniões anuais em Davos. Entre 25 e 30 de janeiro caberá ao Brasil a honra de inaugurar esta iniciativa de centenas de entidades.

Este evento, no entanto, não é considerado notícia digna de coberturas jornalísticas mais amplas pela mídia tupiniquim. De acordo com Aloysio Biondi, trata-se de “ um deliberado silêncio militante sobre determinados fatos da realidade. Segundo o jornalista “Esse é um padrão que opera nos antecedentes, nas preliminares da busca da informação. Isto é, no ‘momento’ das decisões de planejamento da edição”; da chamada pauta. E acrescenta “ Tomada a decisão de que um fato ‘não é jornalístico’, não há a menor chance de que o leitor tome conhecimento de sua existência…”.

A mídia, invariavelmente, presta-se a vender uma utopia para milhões, rendendo milhões para alguns poucos. O Rock in Rio é um exemplo. Em uma grande estratégia de marketing invadiu, entre outros, casas, bancas de jornais, automóveis, consultórios, lojas de departamentos, supermercados, banquinhas de camelôs para nos fazer acreditar que a paz é possível enquanto o sr. Roberto Medina e associados concentraram mais alguns milhões.

Davos, poderá virar notícia de primeira página se ambientalistas, sindicalistas, estudantes, entre outros militantes sociais estiverem lá para protestar e acabarem por apanhar. Neste caso, terão cutucado a onça com vara curta.

O Fórum Social Mundial pode ter sua chance de aparecer na telinha ou nas ondas do sr. Marinho, bem como de seus concorrentes atentos ao padrão global. Basta que não se estabeleçam metas comuns, como prevê uma matéria de O Globo, de 8 de janeiro. Neste caso, o congraçamento de milhares de pessoas, vencendo distâncias geográficas e culturais, desafiando uma babel de concepções em torno da necessidade de superação do neoliberalismo, terá sido em vão. Só nos restaria, portanto, esperar o próximo Rock in Rio

Notas

INSS e IR levam quase metade do 13o

O INSS foi descontado do montante relativo à Gratificação Natalina. Existe a interpretação jurídica de que é um desconto indevido. O INSS sobre o 13o só começou a ser descontado em 1999. O Andes-SN já ajuizou ação para impedir a cobrança e exigir a devolução do que foi cobrado dos professores.

Além disso, é descontado sobre o salário somado ao 13o, o imposto de renda. Além de uma cobrança injusta, a tabela de descontos está há vários anos sem correção,o que implica em alíquotas altas de desconto: 15% para quem ganha até R$1.800; 27,5% para quem ganha mais de R$1800. O desconto representa um verdadeiro assalto, segundo pondera o boletim da Associação de Professores da UFSC de 4/12, que informa ainda ser esta uma matéria sobre a qual várias entidades têm se mobilizado e, inclusive, acionado a Justiça do Trabalho para corrigir as distorções que podem reduzir o valor líquido quase a metade.

 PNE é aprovado em comissão do Senado Federal

Em reunião ordinária do dia 12/12/2000, a Comissão de Educação do Senado Federal aprovou o parecer favorável do senador José Jorge (PFL/PE) ao PLC 42/00 – Plano Nacional da Educação. Antes da aprovação do parecer, a senadora Emilia Fernandes, do PDT/RS, solicitou em requerimento, a realização de audiência pública para instrução da matéria, o que foi rejeitado.

Além disso, a senadora fez aprovar proposição para criação, no âmbito da Comissão, de subcomissão destinada a fiscalizar a execução, pelo Poder Executivo, do PNE. Junto a isso, ficou garantida a realização de audiência pública na subcomissão e o encaminhamento de pedido de urgência ao presidente do Senado para a votação da matéria no plenário. Caso seja aprovado no Senado, o PNE vai, ainda neste ano, à sanção presidencial.

“Doutorado itinerante”: bom negócio para empresas, ruim para estudantes

A baixa qualidade dos cursos de pós-graduação oferecidos por instituições estrangeiras no Brasil (“doutorado itinerante”) foi discutida no encontro de diretores da SBPC com o presidente da Capes, Abílio Baeta Neves, e diretores da fundação, em 4/12.

O “doutorado itinerante”, segundo o coordenador da Capes, Tuiskon Dick, funciona a partir de associação entre instituições estrangeiras, sobretudo espanholas e nacionais. Os professores vêm ao Brasil onde ficam cerca de 10 dias por semestre e orientam teses de muitos alunos ao mesmo tempo. Esses cursos chamados na Europa de “Projeto Brasil”, começaram a ser oferecidos aqui em 95 e têm hoje cerca de dois mil inscritos. Pelo menos um dos criadores do “Projeto” integra a banca examinadora, que avalia doutoramentos em várias áreas do conhecimento. As dificuldades com que tais cursos se defrontam estão sobretudo na sua avaliação. Eles escapam da avaliação da Capes e emitem um certificado que não tem validade no Brasil. O único curso até agora avaliado pelo Capes foi reprovado.

A capes decidiu então que não oferecerá bolsas aos alunos matriculados em Universidades que oferecem esse tipo de doutoramento.

A SBPC não só manifestou apoio à posição da Capes – por entender que esses cursos não têm a qualidade mínima indispensável – como pretende organizar uma mesa-redonda na 7a Reunião Especial, a realizar-se em Manaus, em abril, para debater o assunto com a comunidade científica.

O presidente de honra e conselheiro da SBPC, Crodowaldo Pavan, teme que esses cursos “solapem todo o sistema de qualidade das pós-graduações no país”. Ele classificou o doutorado itinerante como uma “bandalheira” e recomendou a suspensão dessas atividades.

Abílio define os cursos de pós-graduação itinerante como “grande negócio”para as empresas, mas péssimo investimento para os alunos. Alguns deles, já formados, estão processando as empresas promotoras, por terem recebido certificados que não são reconhecidos no Brasil.

Fonte: Jornal da Ciência – publicação da SBPC, edição de 15/12/2000

 

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