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  ADUR  Informa

ANO  22

Nº 23

2/04 A 6/04

2001

FILIADA À CUT


       ADUR Informa - publicação da Associação dos Docentes da UFRuralRJ. 
       Conselho Editorial: Áurea Echevarria, Francisco de Assis da Silva, Nídia Majerowicz, 
                                          Ricardo L. L. Berbara e Valdomiro Neves Lima.
       Jornalistas Responsáveis: Regina Rocha (Reg. 16269/MTb) e 
                                                     Fortunato Mauro (Reg. 20732/MTb).
                 As matérias não assinadas são de responsabilidade do Conselho Editorial.

Especial sobre o XX Congresso do Andes-SN

*         Congresso reafirma Carreira Única

Ao completar vinte anos de existência, o ANDES-SN reafirma o seu objetivo de ser elo entre universidade e sociedade, propondo alternativas para influir no futuro do País. O tema do congresso, Movimentos Sociais & Universidade: a mesma luta, ressalta esta visão estratégica. O evento foi realizado entre 15 e 20 de fevereiro na UERJ. Neste período cerca de 400 delegados abordaram o movimento docente na atual conjuntura, políticas sociais e perspectivas contra o modelo neoliberal e suas conseqüências para a universidade pública. Foi consenso a importância da união de esforços e a mobilização em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade.

Dentro dessa perspectiva apresentada, a carreira docente transcende sua importância para o gerenciamento institucional. Ela, na verdade, é instrumento de integração nacional, de universalização da política educacional nas instituições de ensino superior, notadamente nas universidades federais.

Por isso este foi um dos temas mais debatidos do congresso, concluido com a decisão da maioria dos delegados em não mexer na proposta de carreira protocalada no MEC anos atrás.

Um debate intenso foi travado para se chegar a esta conclusão. Três possibilidades para a Carreira nortearam as discussões: lutar pela Carreira Única da forma como está; incluir a carreira docente entre as carreiras típicas de Estado e fazer alterações nas regras de transposição para a Carreira Única. As mesmas, porém, concorriam para um mesmo objetivo: enfrentar o recente anteprojeto de Emprego Público do MEC para as instituições de Ensino Superior. 

O 20º Congresso do ANDES homenageou os movimentos sociais. O líder do MST, João Pedro Stédile, na abertura do evento, 15/2, destacou o papel estratégico das universidades públicas a serviço do povo. No último dia do evento,  cerca de 400 delegados e observadores fizeram passeata e ato público em defesa da Educação.

Assembléia Geral

Dia 4 de abril, quarta-feira, às 13h, em primeira convocação, no Cine Gustavo Dutra (Gustavão)

Pauta: Informes gerais, Campanha Salarial e Eleição de delegados à plenária dos SPF - Reunião do setor federal do ANDES-SN e para o GTPE


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Combate à privatização interna entre principais deliberações

Nas plenárias, muitas intervenções indicaram o fortalecimento dos movimentos populares e das manifestações públicas como caminho para enfrentar o projeto do governo. Veja aqui algumas das deliberações finais do encontro.

Política Educacional

 O ajuste fiscal promovido pelo governo retira  verbas de Educação e Saúde públicas e transfere para os respectivos setores privados, como denunciado no texto “Reforma do Estado e Política Educacional”, do caderno de textos do congresso. A iniciativa retrata o traço marcante das políticas neoliberais de FHC para o ensino superior, merecendo a total resistência do movimento docente. Foram rejeitadas as Diretrizes Curriculares para a Educação, orientadas pelo FMI ou Banco Mundial, que inspiram o governo federal em suas iniciativas de saldar dívidas com o sistema financeiro internacional, em detrimento da manutenção da Educação Pública e Gratuita.

Política Agrária

A luta pela reforma agrária diz respeito não apenas aos trabalhadores rurais, mas à maioria da sociedade na perspectiva de um desenvolvimento autônomo e da soberania nacional. A participação dos diferentes setores da base do ANDES-SN e dos três segmentos da Universidade deve se dar de forma articulada, em defesa da Educação e da Reforma Agrária. O  20º congresso deve estimular a interação direta entre professores e experiências desenvolvidas no campo pelos movimentos sociais.

 Cursos de formação acelerada

Cursos seqüenciais e profissionalizantes, assim como os cursos à distância, introduzidos pela nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), foram  rejeitados pelo 20º Congresso. Os delegados consideraram que estes cursos são referenciados na lógica do mercado e reduzem a formação acadêmica.

Respeito à gratuidade

Gratuidade; expansão de vagas públicas, tanto no Ensino Médio como Superior; investimentos nos estabelecimentos públicos e valorização real dos profissionais da educação são elementos de democratização do ensino superior, segundo decisão dos congressistas.

Privatização interna

A utilização privada de recursos, de pessoal, de estrutura etc, por meio de convênios para a realização de pesquisas e prestação de serviço, deverá ser combatida pela entidade. A cobrança de taxas, de mensalidades nos diferentes níveis e modalidades, também foi rejeitada pelos congressistas. Deliberou-se a realização de um levantamento do nível de privatização internas das IES e abrir o debate político no interior das universidades.

Institutos de Educação

O Andes-SN deverá lutar pela revogação da lei 9394/96 que regulamenta os Institutos Superiores de Educação e Cursos Normais Superiores. Da mesma forma lutará pela aprovação do PDL 358/00 que susta os efeitos do decreto 3276/99, que criou os Institutos Superiores, reafirmando o papel da universidade como lócus da formação do educador.

Plano Nacional da Educação da sociedade

O PNE da sociedade brasileira, elaborado por entidades representativas da sociedade civil, foi reafirmado como documento de referência política, pedagógica e metodológica para a Educação Pública brasileira. A partir deste o Andes-SN deve atuar na elaboração dos Planos Estaduais e Municipais de Educação. O 20º Congresso aprovou a participação do Sindicato na promoção do IV Congresso Nacional de Educação (Coned) com data prevista para novembro de 2001, cuja realização será articulada pela Frente Nacional em Defesa do Ensino Público.

Os delegados ao Congresso também rejeitaram o PNE recentemente aprovado no Congresso Nacional, que representa a proposta do governo FHC e seus aliados para a Educação brasileira.

Política de Ciência &Tecnologia

A defesa da Educação pública, gratuita e socialmente referenciada, e da Ciência e Tecnologia, especificamente no campo da pesquisa e da pós-graduação, significa, entre outras coisas, defender intransigentemente a ampliação de verbas públicas para financiamento da C&T (em recursos não inferiores a 1,5% do PIB, imediatamente até atingir 2,7% do PIB em dez anos).

Realizar, em conjunto com o GTPE, GTCARREIRA e GTPA, durante a 53ª Reunião Anual da SBPC, em julho 2001, em Salvador - BA, simpósios e mesas-redondas para discutir a política de ciência e tecnologia adotada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia;

Que o GT C&T discuta patentes, tratado de Livre Comércio e as resoluções da OMC sobre a educação e a ciência e suas relações com a universidade brasileira e latino-americana.

O GT Nacional de C & T e os GTs locais das Seções Sindicais, devem identificar regional e nacionalmente a transferência de empregos e os convênios de desenvolvimento no mercado de trabalho. Estabelecer e promover ações de luta em defesa do emprego nacional, devido ao processo de privatização.

GED/GID

Frente à política educacional implementada pelo governo FHC, o Andes-SN deve defender as metas referentes à Educação Superior expressas no PNE – Proposta da Sociedade Brasileira e combater a exploração do trabalho docente por mecanismos de produtividade (GED e GID, no âmbito federal, e seus equivalentes, com outras nomenclaturas, nas esferas estadual e municipal).

Estágio de Docência

O Andes-SN posicionou-se contra o programa de estágio de docência imposto pela Capes e deliberou lutar contra a atuação, compulsória ou voluntarista, de alunos de pós-graduação nas atividades de docência dos cursos de graduação das IES onde estudam.

Política de Comunicação

Foi aprovada uma nova estruturação da política de comunicação do Sindicato, com a divisão do setor em núcleos de Produção Jornalística e Editorial (para a revista Universidade & Sociedade) e em uma Assessoria de Comunicação. No entanto, foi remetida para o próximo Conad (em Uberlândia) a proposta de criação de um Conselho Editorial que ficaria responsável pela supervisão das matérias do jornal InformAndes. Até lá, o Grupo de Trabalho de Comunicação & Artes do Andes-SN se encarrega desta função.

Fundo de Solidariedade Sindical

Diante da recente perseguição pela UFRJ e pelo MEC ao presidente do Sindicato Nacional, professor Roberto Leher, o 20º Congresso ampliou a concepção de solidariedade sindical para diretores da Direção Nacional e das seções sindicais.

O fundo passa a se justificar em casos de demissão arbitrária ou sem justa causa; quando são impedidos de exercer o mandato sindical por normas dos poderes públicos ou por outras regulamentações advindas de órgãos reguladores da iniciativa privada. Antes, o fundo só era estendido aos demitidos.

A partir da reforma de FHC no RJU, em 1997, aos dirigentes sindicais só ficou permitida a licença sem vencimentos para desempenho de mandato classista – justamente o caso do presidente do Andes-SN. A idéia de criação do Fundo de Solidariedade Sindical Cutista foi rejeitada. O Congresso entendeu que isso é tarefa que cabe aos sindicatos de base, não à central de trabalhadores.

Política Sindical

O 20º Congresso aprovou fortalecer a organização sindical do Andes-SN, reafirmando seus princípios, seu caráter nacional, classista, autônomo e articulado com os demais setores da sociedade civil. A realização de debates, seminários e encontros devem buscar esclarecer as propostas e ações do governo FHC, particularmente contra a organização sindical, possibilitando os métodos de resistência e convergência na perspectiva estratégica.

Foi aprovada a concepção que cabe ao Andes-SN viabilizar cursos, seminários e debates de formação em âmbito nacional e regional, abordando a história do sindicalismo e das universidades; política educacional atual; movimento sindical e transformações do mundo do trabalho e gestão sindical no Andes-SN, entre outros pontos.

21º Congresso

Ainda sem data marcada, o próximo Congresso será realizado na cidade de Rio Grande (RS), sob a organização da Aprofurg-Seção Sindical.


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Emprego público: o centro da luta e da resistência

Apontado como um dos maiores e mais graves ataques à universidade pública brasileira, o Emprego Público é, segundo as avaliações de dirigentes do Andes-SN e do movimento, o motivo central da preocupação dos docentes em 2001.

Para Roberto Leher, presidente do Andes-SN, a política do Emprego Público condensa a principal ameaça à Universidade Pública brasileira, não sendo a única, “mas é a que representa o que tem de pior na política neoliberal. Destrói os direitos do trabalho, representa a perda de estabilidade e o fim da aposentadoria integral”.

Para que este modelo de contratação celetista passe a vigorar no serviço público, é necessário que seja aprovado pelo Congresso Nacional. No entanto, há informação de que o MEC  já tem a sua versão final para ser imposta às IFES.

Leher informa que da parte do Andes-SN, há a sinalização e a indicação de que a resposta ao projeto será com “uma greve muito forte”. O 20º Congresso se posicionou contrário ao novo regime de contratação, “garantindo-se a forma estatutária de relação de trabalho no serviço público regida pelo RJU, preservando-se a não fragmentação e duplicidade de carreiras”. A perspectiva é a da “construção de um movimento unitário da Educação, com a Fasubra-Sindical e a UNE, de modo que seja uma luta em defesa da Universidade”, avalia o presidente do Sindicato Nacional. 

Andifes: Falta de unidade

Junto com a disposição do movimento docente, fortes críticas vêm sendo feita por vários colegiados universitários no que diz respeito a essa nova forma de contratação.  “O que  permite um passo importante contra o projeto de Emprego Público”, diz Roberto Leher. Para ele a Andifes tem tido uma posição muito ruim, não propondo e nem participando de debates sobre essa questão. Desta forma, “não pode se apresentar com uma postura unitária em favor da política do Emprego Público”. Leher, porém, acredita que isso pode  ser mudado “na medida em que alguns reitores e colegiados começam a se manifestar contrários à nova forma de contratação, podendo ser uma mudança importante e significativa”. 

Adesão por asfixia

Para Maria Luíza Aléssio, professora de Fisiologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e vice-presidente da Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe-Seção Sindical), o Governo vem utilizando a tática da não reposição de vagas docentes. Não há abertura de concurso público e, ao mesmo tempo, “tem pressionado as administrações impondo como condição para a realização de concursos e abertura de vagas, a implantação do Emprego Público que é a contratação pela CLT”. Segundo ela, trata-se de “uma estratégia de pressão por estrangulamento, porque os reitores sendo pressionados, estão aceitando a imposição do projeto de lei do Emprego Público para resolver o problema das vagas”.

Maria Luíza diz que atualmente as universidades têm, de maneira ilegal, 30% de professores substitutos “o que, na verdade, não poderia ultrapassar os 10%”, avaliando que “isso fará com que os próprios  professores substitutos aceitem rapidamente a abertura de vagas pelo Emprego Público, uma vez que têm vínculo precário”.  

Enfrentamento necessário

Há unanimidade nas análises sobre o que deve ser feito. Para Luiz Carlos Lucas, professor da Universidade Federal de Pelotas/RS e 1º vice-presidente da Regional RS do Andes-SN, “o que o movimento docente tem de fazer agora é enfrentar o MEC usando todos os instrumentos de mobilização dos quais possa dispor”.

Luiz Carlos considera que a resistência ao projeto seja o central da conjuntura do movimento docente para o este período, “uma vez que esse é um dos mais sérios problemas que já enfrentamos” e que nunca houve uma ameaça tão grande. “Poderíamos pensar em outras, quanto ao seu espectro, mas não tão iminente quanto esta”, diz Lucas. Ele lembra ainda que “boa parte do processo legislativo para implantação da Reforma do Estado, da qual esta questão é apenas um dos itens, já passou”. O professor refere-se à Emenda Constitucional nº 19, que tratou da Reforma Administrativa. Depois disso passou a Lei 9.962 que estabeleceu os parâmetros gerais de regulamentação do Emprego Público, que tramitou por pouco mais de um ano.

Da mesma forma pensa Maria Luíza, dizendo que a “postura do movimento, nesse momento, basicamente é de mobilizar e esclarecer todos os professores das universidades de qual é a repercussão real desta política para sua vida profissional, sua carreira”. 

Armando o contra-ataque

“Nesse momento estamos preparando um conjunto de materiais e documentos para divulgação massiva da questão do Emprego Público. Nossa expectativa é de que até o final de março sejam realizadas rodadas nacionais de assembléias onde serão discutidos os rumos do movimento”, é o que diz Roberto Leher, preparando todo o arsenal do Andes-SN para enfrentar o Governo. O presidente do ANDES-SN se mostra otimista e convencido de que, “apesar de nesse momento a mobilização estar ainda aquém do desejável, o tema em si é tão grave, a situação é tão séria, que levará os professores - e espero que também os técnico-administrativos e os estudantes - a construírem um forte movimento unitário de resistência”.


Trabalho intenso - Já no segundo dia os participantes do Congresso dividiram-se em grupos para debater temas como carreira docente e plano de lutas

Luta e cultura

Marquinhos de Oswaldo Cruz, Monarco da Velha Guarda da Portela, Dona Ivone Lara, Xangô da Mangueira e a turma do Cacique de Ramos proporcionaram no XX congresso do ANDES um momento de descontração, mas também de reencontro com a cultura popular brasileira. Professores de todo o país entraram em contato com o toque refinado do samba de raiz carioca no show do dia 17/2


Em defesa do RJU e da Carreira Única

Entre as resoluções referentes ao combate ao Emprego Público, a defesa do RJU e da Proposta de Carreira Única do ANDES-SN, estão:

1 - Lutar contra a implantação da proposta do Emprego Público no Sistema Federal de Ensino Superior;

2 - Defender a manutenção do RJU;

3 - Preencher, por concurso público, pelo RJU, todas as vagas existentes e, na seqüência, ampliar o número de vagas;

4 - Implementar ações que levem a Andifes a se posicionar contrária ao projeto de lei de Emprego Público e lute contra sua implementação nas IFES, garantindo, assim, a manutenção do RJU;

5 - Realizar amplo movimento pela imediata abertura de concurso público no RJU;

6 – Realizar manifestação no MEC em favor da Carreira Única do Andes-SN e pela imediata abertura de concurso público no RJU, como parte das atividades da Marcha sobre Brasília em Defesa do Serviço Público em 5 de abril.

7 – Lutar pela inclusão de todos os docentes de 1o e 2o graus (atual ensino fundamental e médio) das IFES na Carreira Única do ANDES-SN;

8 - Lutar pela extinção de todas as formas de precarização do trabalho docente tais como: professores substitutos, voluntários, estágio docente de bolsistas, celetistas, convênios com fundações para a contratação de professores, etc.


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Entrevista: Dirigentes abordam lutas do Andes-SN 

“Não podíamos ficar calados diante do clamor de democracia” Osvaldo de Oliveira Maciel, professor aposentado da UFSC, presidente da primeira gestão do Andes-SN, em 1981/82

 

Adur Informa: Fale sobre a construção da luta e do movimento docente.

OM: Eu sou daqueles que acreditam que o surgimento de nosso Sindicato Nacional, à época Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior, representou a culminação de um processo de lutas e acumulação de forças que ocorreram na universidade e na sociedade. Nossa organização é, portanto, uma decorrência direta do sindicalismo autônomo, combativo, classista, democrático e rebelde, que surgiu no ABC Paulista.

Quando as primeiras greves dos metalúrgicos começaram a abalar os alicerces da ditadura militar, nós fomos percebendo que fora da universidade tinha mais vida e luta pela democracia do que dentro dela. De forma natural, a universidade – os seus setores mais combativos que acreditavam nos ideais de solidariedade, justiça, humanismo - aliou-se, não apenas cientifica e intelectualmente, mas de forma política e militante aos operários do ABC e aos movimentos populares e democráticos que naquela época emergiram com grande força.

É preciso dizer que no começo era apenas uma corrente e depois se transformou num fluxo muito forte que conseguiu empurrar a ditadura para o campo defensivo, obrigando-a a fazer muitas concessões para os movimentos sociais, sindicatos e partidos de oposição.

AI: O sindicalismo, na época, atingiu todos os objetivos ou algo ficou pendente?

OM: Infelizmente nós não conseguimos conquistar questões que eram fundamentais no processo político da época, como por exemplo as Eleições Diretas, com a derrota da Emenda Dante de Oliveira e tivemos que “engolir” o colégio eleitoral que foi uma transição das elites e que está congelada. Até hoje nós estamos pagando o preço disso, na medida em que os governos que se sucederam (Sarney, Collor, Itamar e FHC), representam uma transição congelada.

O Andes resultou desse processo  e a sua fundação decorreu de um processo muito grande de discussão e elaboração que envolveu vários militantes da universidade que acreditavam que nós não podíamos ficar calados diante do clamor de democracia que o país necessitava e a sociedade reivindicava: rejeição da Lei de Segurança Nacional e dos Atos Institucionais (principalmente o AI-5); queríamos a Anistia e Diretas Já. Estas foram as nossas principais contendas políticas. Avalio que se nós – a sociedade brasileira – tivéssemos forças para conseguir isso tudo, hoje estivéssemos num nível mais avançado de democracia.

 

Movimento deve mobilizar e esclarecer

Maria Luíza Aléssio (MLA) professora de Fisiologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e vice-presidente da Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe-Seção Sindical)

 

Adur Informa: Como você está avaliando a ofensiva do Governo Federal e o que significa a política do Emprego Público?

MLA:  O Governo Federal vem utilizando uma estratégia, nos últimos anos, de estrangulamento na reposição de vagas docentes, com  a não abertura de concurso público. Ao mesmo tempo, tem pressionado as administrações, impondo como condição para a realização de concursos e abertura de vagas, a implantação do Emprego Público que é a contratação pela CLT. Atualmente as universidades têm, de maneira ilegal, 30 % de professores substitutos. Não poderia ultrapassar os 10%. Isso fará com que os próprios  professores substitutos  aceitem rapidamente a abertura de vagas pelo Emprego Público, uma vez que estes possuem vínculo precário.  

AI: O que o movimento deve fazer?

MLA: A postura do movimento, nesse momento, basicamente é de mobilizar e esclarecer todos os professores das universidades de qual é a repercussão real desta política para sua vida profissional, sua carreira. Só para citar um exemplo, para que um docente chegue a titular, na nova carreira proposta pelo governo, ele terá que progredir linearmente e não haverá mais concurso público. Para que haja a ascensão na carreira o mesmo deverá fazer a opção pela nova carreira e abrir mão de direitos hoje existentes, tal como a aposentadoria integral. 

AI: Além do processo de mobilização em curso hoje, quais seriam, na sua opinião, as medidas que o Andes deveria desenvolver?

MLA: Por enquanto não conseguimos nenhuma mobilização efetiva dos professores. Para qualquer ação de enfrentamento que o Andes for realizar contra o governo prescinde da mobilização para que não se perca a possibilidade de pressão e vitória. Nós temos condições de, juntos, organizarmos uma frente de resistência, junto aos parlamentares, sensibilizando-os contra esse projeto de lei. Ele representa a destruição da universidade, da forma como está colocado, em uma perspectiva de relação que não é característica do ensino superior brasileiro. A única forma que nós temos de derrotarr esse projeto, é com a mobilização, sensibilização dos docentes, assim como da sociedade e do parlamento. 

AI: Com a política do Emprego Público o governo achou, finalmente, a fórmula de implementação de seu modelo de universidade para o Brasil?

MLA: Não apenas com essa questão. Mas ela é fundamental e, ao mesmo tempo, sensível. A sociedade espera que nós ampliemos o número de vagas para acesso e o governo acena com a questão do Emprego Público como solução.

 

Docentes protestam nas ruas

Os professores presentes ao 20º Congresso Nacional do Andes-SN não ficaram restritos às plenárias e fóruns do evento. Na tarde do último dia do evento, 20/2,  os delegados e observadores fizeram uma passeata do campus da Uerj, no Maracanã, ao Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel. Mesmo sob forte calor, o protesto foi marcado pelo apoio da população, pelo bom humor e muita disposição de luta no combate às políticas do governo de FHC. Além dos delegados de todo o país, participaram representantes de várias entidades, políticos e parlamentares de partidos de esquerda.  Roberto Leher, presidente do Andes-SN, encerrou o ato prometendo muita luta para 2001 e sentenciou que “essa vinda à rua é uma sinalização clara de como vamos defender a Universidade. Estamos abrindo agora a nossa marcha de 2001 ao lado dos trabalhadores do campo e da cidade”.

 

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