Clique no link para ter acesso às  Edições Anteriores 





Publicação da
Associação dos Docentes da
UFRRJ - Seção
Sindical do Andes-SN
Filiada à CUT

   



 Nº 46
 17 de fevereiro de 2003


 
                                ADUR Informa -  Publicação da Associação dos Docentes da UFRuralRJ. 
                                         
Conselho Editorial: Abner Chiquieri,  Áurea Echevarria,  Luciana Nóbrega, Luiz 
                                                              Mauro, Nídia Majerowicz, Valdomiro Neves, Ricardo Berbara.

                                          
Edição e editoração:  Regina Rocha (Reg. 16269/MTb). 
                                Texto: Ana Manuela Soares.
                                Fotos: Lenin Pires.

                                 
  As matérias não assinadas são de responsabilidade do Conselho Editorial.

NÃO  À  GUERRA

Na marcha de encerramento do  III Fórum Social Mundial, dia 27 de janeiro, povos de todo mundo se manifestaram contra a guerra.

O dia 15 de fevereiro de 2003 vai ficar na história como o Dia Internacional de Luta Contra a Guerra. O Rio de Janeiro organizou a sua participação, neste movimento internacional, no lançamento do comitê Rio Pela Paz e Contra a Guerra, no dia 10, na ABI. O local escolhido para o ato do dia 15 foi a praia do Leme. Representantes do movimento social, de partidos políticos e sindicatos, igrejas, artistas e personalidades deixaram claro o recado de resistência ao império Bush.

“O presidente do planeta anuncia seu próximo crime em nome de Deus e da democracia. Assim calunia Deus. E calunia, também, a democracia”, disse o escritor uruguaio Eduardo Galeano. Para ele o governo de Bush precisa, por um lado, apossar-se da segunda reserva mundial de petróleo no subsolo do Iraque: por outro, expor no campo de batalha os últimos modelos de sua indústria armamentista.

“O único país que usou armas nucleares contra população civil, que descarregou as bombas que aniquilaram Hiroxima e Nagasáqui, pretende convencer-nos de que o Iraque é um perigo para a humanidade. Se o presidente Bush ama a humanidade e realmente quer conjurar a mais grave ameaça de que padece a humanidade, por que não bombardeia a si mesmo?”, concluiu.

 

Governo anuncia aumento do número de bolsas e quer preencher vagas ociosas


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, semana passada, após reunião ministerial de mais de oito horas, 14 medidas, entre elas, a que aumenta o número de bolsas do CNPq. As novas bolsas beneficiam desde a iniciação científica até a pós-graduação.

Outra medida determina o preenchimento imediato de três mil vagas ociosas nas Universidades Federais do Rio Grande do Sul (UFRGS), de Santa Catarina (UFSC), do Paraná (UFPR) e de Minas Gerais (UFMG). Consta que, ao todo, haveria hoje 35 mil vagas ociosas para estudantes nas Universidades federais do país.

O aumento no número de bolsas e a criação de novas modalidades não implicará em gastos extras para o MCT. Um grupo de trabalho nomeado pelo ministro examinou o orçamento do MCT e do CNPq e concluiu que as medidas serão possíveis com o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis.

O total de bolsas será ampliado em 9%, o que significa a concessão de mais 4.328 bolsas para programas já existentes e mais 10.250 distribuídas em novas modalidades. O programa representará um investimento mensal de R$ 3.638.000,00, já garantido no orçamento de 2003. Fonte: JC e-mail.
 

CONVERSANDO  SOBRE  A  PREVIDÊNCIA

A ADUR-RJ CONVIDA PARA O DEBATE DIA 26, QUARTA-FEIRA, ÀS 15H, NA SALA 82 DO P1. COM: ROBERTO LEHER,
EX-PRESIDENTE DO ANDES-SN, JOSÉ MIGUEL BENDRAO SALDANHA E SARA GRANEMANN, PROFESSORES DA UFRJ E MEMBROS DO GT DE SEGURIDADE SOCIAL DO ANDES-SN.


Página 2 

 EDITORIAL

 AUTONOMIA


A HORA É DE MANTER A MOBILIZAÇÃO PARA O DEBATE. A PARTICIPAÇÃO DE TODOS É FUNDAMENTAL!

 


Dezembro de 2002 marcou o final de um triste período político para o País e, em especial, para os  funcionários públicos. O governo FHC, definitivamente, não deixa saudades.

Em janeiro de 2003, o Partido dos Trabalhadores, inserido num amplo arco de alianças políticas,  assumiu o Governo Federal. O presidente Lula foi eleito com uma proposta mais voltada para as questões sociais e tendo como ponto central a erradicação da fome. Mais do que a visão popular, o resultado das eleições de novembro não poderia deixar de ser visto também pelo seu caráter  plebiscitário: a maioria da população escolheu o novo presidente, entendendo que a sua proposta vinha em oposição ao que foi praticado nos últimos anos. 

Reafirmar projetos 

Os professores já aprenderam também que esta é uma hora para reafirmar os projetos construídos pelo movimento. Nas últimas décadas, o ANDES-SN e, em nosso local, a ADUR-Seção Sindical vêm debatendo e elaborando propostas referentes à nossa Carreira, à Política Salarial, Previdência, Política Educacional e de Ciência e Tecnologia, entre outras. Este coletivo conseguiu não só elaborar estas propostas com a participação ampla da base, como também discutir com setores da sociedade e com os governos anteriores.

Este momento é também de reafirmação da nossa autonomia e, a partir dela, de levar as  reivindicações e bandeiras de luta do movimento docente aos novos responsáveis pela política federal. Em contrapartida, é preciso ouvir os projetos que começam a ser delineados pelos novos ministérios, discutir o seu conteúdo na base, estudar as semelhanças e diferenças em relação às nossas proposições e expectativas. Como em todos os governos anteriores, o ANDES-SN e ADUR-SSind estarão levando as propostas docentes e buscando o diálogo com os novos dirigentes.

Neste momento, vale lembrar que a nossa mobilização e a força de nossa organização é que têm garantido a resistência e os avanços. A greve 2001 foi o exemplo mais recente. Neste sentido, algumas questões que visam a dar continuidade e reforçar a nossa organização já estão na pauta, neste início de ano.

A primeira se refere à própria manutenção de nossa Seção Sindical.  Nos últimos anos, a ADUR tem enfrentado problemas financeiros crescentes e teremos que nos debruçar sobre isto com brevidade. A nossa capacidade de resistir e lutar pelos nossos direitos depende disto. 

Potencializar a ação 

Outra questão importante se refere à nossa participação nas políticas do Sindicato Nacional. Neste sentido, a última Assembléia Geral (12/02/03) tratou de quatro pontos importantes. Iniciamos o debate sobre a reforma da previdência e a nossa representação junto à Coordenação Nacional dos Servidores Públicos Federais (CNESF), para encaminhamento de campanha salarial 2003, a ser lançada no dia 19/02/03. Elegemos nossos delegados ao 22º Congresso do ANDES-SN (8 a 13 de março 2003).

A formação da delegação e a discussão dos temas que serão debatidos no Congresso constituem uma ação importante para potencializar a nossa capacidade de atuar com competência na complexa realidade brasileira. Finalmente, nossa participação nos Grupos de Trabalho do ANDES foi atualizada. O funcionamento destes grupos tem permitido a formulação de propostas políticas e subsidiado as ações, em momentos de enfrentamento, como na última greve.

 

MOVIMENTO

ENTIDADES REIVINDICAM 46,95% DE REAJUSTE EMERGENCIAL EM  2003

Em quatro de fevereiro, diretores do ANDES-SN estiveram reunidos com integrantes da Coordenação Nacional das Entidades de Servidores Federais. A reunião plenária dos Servidores Federais, no próximo dia 18/02, em Brasília, discutirá a Campanha Salarial 2003, que será lançada no dia 19, na Câmara dos Deputados. 

ANDES-SN vai ao Congresso Nacional 

O Sindicato solicitou audiência com o líder do PT na Câmara Federal, Nelson Pellegrino (BA). Quer esclarecimentos sobre o reajuste dos servidores e a previsão orçamentária aprovada 2003. Os dirigentes esperam apoio dos parlamentares para que as audiências com os ministérios do Planejamento e da Casa Civil sejam realizadas o quanto antes.

Pellegrino se comprometeu em solicitar que a bancada petista encaminhe um pedido de audiência junto à Casa Civil para que seja instalado um fórum de negociação com as entidades de servidores.

Os diretores procuraram também a Associação Nacional dos Reitores e solicitaram apoio para a reposição salarial e abertura de diálogo como o novo governo.

O Sindicato reiterou as reivindicações e o plano de lutas aprovadas no 45º Conselho Nacional das Seções Sindicais, em novembro de 2002. Na ocasião, o movimento docente avaliou como uma grande vitória a eleição de Lula, mas decidiu que manteria sua autonomia em relação ao governo petista.

 

GOVERNO CORTA REAJUSTE DE  4%
PREVISTO PARA  JANEIRO


Na aprovação do Orçamento da União de 2003, encaminhado ainda pelo governo Fernando Henrique Cardoso, em novembro do ano passado, foi previsto um reajuste de 4% aos cerca de 1,3 milhões de servidores federais, incluindo os docentes das universidades públicas. Nenhum reajuste foi percebido nos contracheques de janeiro ou fevereiro. A diretoria do ANDES-SN solicitou informações e protocolizou pedidos de audiência com os ministros do Planejamento, Orçamento e  Gestão, Guido Mantega, e da Casa Civil, José Dirceu. De acordo com nota da diretoria do Sindicato Nacional, as notícias que circulam entre assessores dos ministérios em resposta aos dirigentes são “controversas e pouco elucidativas”.
 

Há controvérsias 

“Não há nenhuma informação precisa sobre o reajuste de 4% ”, afirma a nota. Para a direção do ANDES-SN, segundo o 1º Vice-presidente, José Domingues de Godoi Filho, o corte do reajuste estaria diretamente relacionado com os cortes orçamentários que serão feitos para cumprir a nova meta de superávit primário, estipulada por Palocci, de 4,25% do PIB. A meta do governo – que atende ao pagamento da dívida pública externa, aos credores internacionais e aos acordos feitos com o FMI nos últimos anos – superou as expectativas do mercado financeiro e significará mais arrocho para os servidores.

Outras medidas advindas desta política econômica afetarão os bolsos dos trabalhadores e  contribuintes, como a provável manutenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e os aumentos nas tarifas de energia e telefonia, já anunciados. 

Recursos insuficientes, segundo o governo 

Na Casa Civil, a direção do ANDES-SN foi informada de que o governo Lula teria constatado que os recursos deixados pela administração de Fernando Henrique não seriam suficientes para pagar o reajuste dos servidores e que estariam sendo realizados estudos para novos cortes orçamentários.  Na avaliação do Sindicato, o reajuste do funcionalismo está entre as medidas de contenção e não deverá ser pago no mês de março. 


OS DOCENTES NÃO PODEM ABRIR MÃO DAS SUAS REIVINDICAÇÕES


UMA GRANDE EXPECTATIVA COM  22º CONGRESSO DO ANDES-SN


O 22º Congresso Nacional do ANDES-Sindicato Nacional acontece de 8 a 13 de março, na cidade de Teresina (PI). Intitulado “Transformação Social e Políticas de Educação, Ciência e Tecnologia”, o evento gera consideráveis expectativas, tendo em vista os variados elementos presentes na conjuntura, da emergência de um governo de características populares no Brasil, passando pela possibilidade de reformas, à eminência de uma guerra de proporções mundiais envolvendo, a princípio, os Estados Unidos e o Iraque.

O temário está dividido em: Tema I- Políticas Setoriais: Plano de Lutas dos Setores e Eixos; Tema II - Questões Organizativas e Financeiras; Tema III – Políticas Sociais: Educacional,   Financiamento, Carreira Docente, Sindical, Ciência e Tecnologia, Comuni-cação, Agrária, Seguridade Social, Relações Internacionais e Etnia, Gênero e Classe.

Os interessados em apresentar contribuições para o caderno de teses têm até o dia 24 de fevereiro de 2003 para fazerem chegar seus textos à sede do ANDES-SN. O Caderno de Textos deverá ser publicado em 26/2/2003 e, em seguida, remetidos às seções sindicais.

 


Página 3

CONJUNTURA

CONGRESSO DO ANDES-SN DEBATERÁ
REFORMA DA PREVIDÊNCIA

O MOVIMENTO DOCENTE DEVERÁ
DEFENDER PROVENTOS INTEGRAIS
SEM APOSENTADORIA COMPLEMENTAR

Foto: Agência ANDES-SN.
Berzoini e os dirigentes do Andes-SN,
Luiz Carlos Lucas e Maria Lia Silva Reis.


No 22º Congresso Nacional do ANDES-SN que acontece nos dias 8 a 13 de março, em Teresina (PI), o movimento docente deverá tomar uma posição sobre as propostas de reforma previdenciária apresentadas, até o momento, por representantes do governo Lula. Para a diretoria do ANDES-SN, segundo análise publicada no Caderno de Textos, deste Congresso, o movimento docente tem que pressionar os parlamentares comprometidos com os trabalhadores a defender um Regime Único de Previdência Social Pública para todos, tanto do setor público como do privado. Para a entidade, deve haver uma integração das ações de previdência com as políticas de saúde e assistência social. A direção defenderá também a gestão pública e democrática do sistema e a aposentadoria integral com um teto único igual ao maior salário pago aos servidores.

O teto, que valeria para aposentados do serviço público e do setor privado, seria equivalente ao salário do Ministro Presidente do Supremo Tribunal Federal. O teto proposto, até o momento, em noticiários da imprensa, pelos representantes do governo, é igual ao valor atualmente pago aos  aposentados do setor privado, R$ 1.561,00. O movimento docente, em encontros anteriores, já se posicionou contra as propostas de previdência complementar para os servidores públicos. 

Ministro recebe ANDES-SN 

O ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, em audiência com a diretoria do Sindicato disse que o governo está disposto a realizar a reforma da previdência para torná-la ‘sustentável’ e para torná-la ‘elemento de justiça social para a classe trabalhadora’.  Berzoini não explicitou aos diretores que modelo de previdência o governo pretende apresentar para apreciação no Congresso.  O ministro disse que pretende participar de encontros com as várias entidades da sociedade para, “a partir das discussões estabelecidas”, elaborar sua proposta. 

Contra a previdência complementar  

Os dirigentes apresentaram ao ministro as preocupações do movimento docente com a eventual adoção de um sistema único, com um teto limitado pela lógica do mercado. Os docentes temem que, com a abertura do sistema para os regimes de previdência complementar, o ‘segurado’, ou o trabalhador aposentado, tenha que investir o resultado de anos de trabalho em uma poupança que, privatizada, estaria sujeita às intempéries do mercado financeiro. 

Exemplos dramáticos 

Os diretores do ANDES-SN citaram ainda os exemplos das reformas implementadas no Chile e na Argentina, nos anos 80 e 90, que se mostraram fracassadas e obedeceram à mesma lógica de  desmonte do sistema público que os governos brasileiros vêm pretendendo, também nas últimas décadas. De acordo com a Folha de S. Paulo (19/1/03), o regime argentino é o que mais se assemelha ao que está sendo veiculado para o Brasil: “uma previdência pública e universal, com um benefício com um teto máximo que pode ser complementado pela previdência privada”.

Segundo o mesmo jornal, “a reforma argentina começou a naufragar já em 1996: as receitas diminuíam porque parte das contribuições migrava para o sistema privado e o desemprego aumentava.  Ironicamente, o último ano de equilíbrio nas contas da previdência foi 1993, o ano que precedeu a reforma”, comenta o diário paulista.

 

ADUR ALERTA

A aposentadoria integral do servidor público é um direito: não é um benefício, nem um privilégio.

Sabe-se que, por interesse, a mídia, muitas vezes, deturpa ou intencionalmente sonega informações.  Ao comparar o servidor público ao trabalhador da iniciativa privada, deixa, por exemplo, de explicar que o teto máximo de descontos na empresa privada é de R$ 1.561,56 e que no  funcionalismo público não há limite.

Que venham as reformas, pois delas o Brasil necessita. Entretanto, que a da Previdência não  represente um nivelamento por baixo.  Que a justiça social a ser feita neste país atinja todo o conjunto da população, atendendo ao princípio da solidariedade entre gerações e não aos interesses daqueles que planejam colocar os recursos da previdência na ciranda da imprevidência, o mercado financeiro.

A ADUR-RJ manter-se-á alerta e disposta a ir à luta, como sempre o fez, em defesa dos interesses de seus filiados.
 


O MOVIMENTO DOCENTE É CONTRA A PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR


HÁ ‘DÉFICIT’ NO SISTEMA?


Em encontro com empresários na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (em 24/1/03, na Folha de S. Paulo), outro ministro de Lula defendeu a necessidade da reforma da Previdência para conter o “rombo” do orçamento público. Na ocasião, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, afirmou a um representante do ANDES-SN que os números provariam que os servidores públicos seriam os responsáveis pelo déficit da Previdência. Palocci, segundo a Folha, respondeu que existe um déficit de quase R$ 70 bilhões e que a contribuição de um servidor público deveria chegar a 60% de seu salário para que o sistema fosse “autofinanciável”.

Segundo documento apresentado pela diretoria do ANDES-SN, no Caderno de Texto do 22º Congresso, a execução orçamentária da Seguridade Social de 2001 mostra claramente que não há déficit algum. De um total de receitas de R$ 136.877 bilhões, foram gastos com Saúde, Assistência e Previdência, R$ 105,413 bilhões.  O saldo é, portanto, positivo, da ordem de R$ 31,464 bilhões. Segundo o ANDES-SN, não há por que falar em ‘déficit ‘da Previdência, se esta for considerada como parte integrante do orçamento da Seguridade Social, como estabelece a Constituição.

O que acontece, na prática, é que, em especial nos últimos oito anos do período Fernando Henrique, as verbas destinadas à Seguridade Social, assim como a das demais áreas sociais (como a Educação) foram ‘misturadas’ em um só montante e destinadas a outros propósitos menos nobres como a rolagem da dívida pública externa, com o pagamento de altos juros aos credores internacionais. Os vários acordos firmados com o Fundo Monetário Internacional para manter a ‘estabilidade’  econômica, certamente, explicam muito mais o ‘rombo’ das contas públicas do que, propriamente, a contribuição dos servidores para sua aposentadoria integral.  Isso, sem falar que será um ótimo negócio para muitos investidores, a curto e médio prazo, como o foi na Argentina, apostar em um sistema previdenciário complementar, para especular um pouco mais com o dinheiro dos trabalhadores.

 


Página 4
UNIVERSIDADES
DEBATE

ASSESSORES JURÍDICOS DEBATEM FUNDAÇÕES


Os advogados Marcelo Chálreo e Lara Lorena, assessores jurídicos da ADUR e da ADUSP,  respectivamente, debateram “As Fundações de Apoio e a Realidade das Universidades”.

O público participou ativamente em mais de três horas de debate. A apresentação é parte de um trabalho que será apresentado pelos advogados no Congresso do ANDES, em março, na cidade de Teresina (PI).

A advogada Lara Lorena colocou que a existência das fundações tem apresentado irregularidades quanto à natureza jurídica destas instituições e suas formas de atuação. Lorena identifica a interpenetração de um instituto de direito civil, a fundação, em um ente de direito público, a universidade. Segundo ela, “Há uma promiscuidade destas relações, tanto das regras civis, quanto de direito público, que acabam transformando, deturpando e desviando o próprio instituto”.

Por outro lado, há o risco de que a instituição pública perca de vista o controle do ente privado que criou. Quando a USP, pressionada pela seção sindical do ANDES (ADUSP), decidiu criar uma comissão para avaliar os problemas surgidos com a criação das fundações, esperava-se, no meio docente, que o orçamento destas fundações alcançassem 1/3 daquele que é reservado para a USP pelo governo estadual. O relatório da comissão, para surpresa geral, revelou que as fundações controlavam um orçamento igual, sem que estes recursos fossem informados nos fóruns oficiais da universidade que, como mínimo, empresta o nome, parte do patrimônio e mesmo pessoal para estas instituições.  “A Universidade de São Paulo não tem controle sobre as fundações, sobre quantas delas existem, não tem controle sobre os convênios, sobre os repasses destas fundações para a própria universidade”. 

Instituições híbridas 

Lembrando que a existência de fundações estava prevista no antigo Código do Processo Civil brasileiro, o assessor jurídico da ADUR, Marcelo Chálreo, resgatou diferentes processos onde as fundações se revestiram de caráter normativo. Ele iniciou afirmando que as universidades federais no Rio de Janeiro, há pelo menos duas décadas, convivem com fundações.

A partir dos decretos-lei 200/67 e 900/69, da época da ditadura militar, foi introduzida a figura da fundação no seio da educação pública. A Constituição Federal de 1988 estabeleceu que instituições públicas só poderiam ter fundações de direito público, mas a emenda constitucional 19, de 1998, alterou o artigo 37, estabelecendo as duas possibilidades.

Para Marcelo Chálreo, tratase de instituições híbridas, ou seja, fundamentadas por princípios e ordens de direito público e privado. Ele ressalta, contudo, que a situação das universidades se agravou com a edição da lei 8.958. de 1994, que se propunha a ajustar parâmetros normativos para as relações entre as IFES e as chamadas fundações de apoio, termo esse que surge com esta lei. “Curiosamente o novo código civil, que entrou em vigor recentemente, diz que uma fundação poderá constituir-se para fins religiosos, morais, culturais e de assistência”. Ele salientou que o mesmo código estipula o período de um ano para que as fundações existentes no país se adaptem a esta regra preconizada pelo artigo 62 do novo Código Civil. “Estas fundações ditas de apoio têm sido utilizadas para os mais variados fins. Sobretudo para promover um tipo de injeção de recursos nem sempre para as instituições. Na maior parte das vezes, para algumas pessoas ou grupos que estão presentes nestas instituições”, concluiu Chalréo.

 

PELO CAMPUS

BANDEJÃO  SUBIU MAIS  DE  140%


No final de 2002, aproveitando a onda de aumento de preços, a Reitoria da UFRRJ promoveu o  aumento dos preços do bandejão de R$ 0,60 para R$ 1,45. Um aumento de mais de 140% que causou surpresa e gerou indignação na comunidade.

Durante o mês de dezembro, a Reitoria veiculou em seu informativo semanal que a manutenção do bandejão exigiria uma correção nos preços da alimentação até então fornecida por R$ 0,60 (sessenta centavos). Com o intuito de deliberar sobre a questão, o reitor José Antonio Veiga convocou uma sessão do Conselho Universitário para o dia 17/12. 

Estudantes em cena 

Segundo o estudante João Brandão, membro do DCE, a representação estudantil procurou a  Reitoria, em 16/12, sugerindo uma melhor reflexão acerca do impacto da medida para o conjunto do segmento estudantil. Além disso, alegou que, com o final do ano letivo, a medida não seria debatida de forma ampla pelos segmentos universitários.  Os estudantes propuseram a formação de um Grupo de Trabalho, composto por representantes do segmento estudantil, do  SINTUR, da ADUR e da Reitoria, para fazer um estudo e propor soluções. Naquele momento, o reitor não acatou a proposta.

No dia seguinte, 17/12, os estudantes apareceram em grande número na reunião do Conselho  Universitário.  Cerca de 300 alunos foram acompanhar os representantes estudantis João Brandão, Mário Piratello, André Luiz e Felipe Gonçalves, que voltaram a apresentar a proposta do grupo de trabalho e de pedido de adiamento do aumento do bandejão. O reitor voltou a manifestar discordância. JOs representantes disseram na ocasião que, mediante a intransigência que se repetia, e acatando deliberação prévia da assembléia, os estudantes se retirariam. Esta iniciativa acabou  inviabilizando a deliberação do CONSU sobre a matéria, por falta de qüorum. 

Reitor insiste 

O reitor José Antonio Veiga resolveu chamar uma nova sessão do conselho para 19/12. Ele teria alegado, segundo Brandão, que os estudantes e seus familiares deveriam ser informados do aumento do bandejão ainda em 2002. Conselho instalado, os representantes estudantis voltaram a apresentar suas ponderações, seguidos por um número bem menor de estudantes. “Na prática, as aulas já  estavam encerradas, com as pessoas deixando a Rural e voltando para suas casas”. A Reitoria se manteve intransigente, pois havia garantido o quorum independentemente da representação estudantil.  Desta vez, apenas parte da representação se retirou: os alunos João Brandão e Mário Piratello. A proposta de aumento do bandejão foi aprovada, com acréscimo de cinco centavos, para subsidiar novas bolsas-alimentação. Ao invés de R$ 1,40 conforme proposta inicial, o CONSU  aprovou o valor de R$ 1,45. O montante arrecadado com os cinco centavos de todos os comensais pagantes seria utilizado para subsidiar as novas bolsas. 

Ocupação e negociação 

Brandão declara que, na perspectiva de reabrir as negociações com a Reitoria, foi formulada uma proposta, que saiu vitoriosa na assembléia dos estudantes: a ocupação do bandejão para garantir o serviço de alimentação por R$ 0,60. Isso acabou acontecendo nos dias 22 e 29 de janeiro, quando os estudantes, liderados pelo DCE, assumiram o controle do refeitório. “Os estudantes assumiram os serviços pacífica e organizadamente. Os alunos que foram servidos puderam refletir sobre o impacto da elevação dos preços”.  Em resposta à ação dos estudantes, a Reitoria fez publicar uma nota no seu Rural Semanal, informando que “a repetição dos referidos incidentes implicará, por imposição legal, na formalização de ações de responsabilidade”.

A ação dos estudantes obrigou a Reitoria a sentar-se, no início de fevereiro, para conversar. “Fomos autorizados pela assembléia a apresentar os R$ 0,60 como valor, flexibilizando até R$ 0,80. A  Reitoria, porém, manteve sua posição de intransigência”, afirma João.

Importante: O DCE organizou um plebiscito entre os estudantes, onde, basicamente, era perguntado se os alunos concordavam com o aumento e, se não, qual deveria ser o preço. O resultado foi divulgado em 13/2, quando essa edição já havia sido fechada. Os estudantes realizaram uma nova assembléia, nesse mesmo dia, para discutir o movimento.


DISCENTES QUEREM DISCUTIR IMPACTO DO AUMENTO


Edições Anteriores           Home