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#OcupaFreitas - a ocupação dos estudantes em Queimados

  • Foto do escritor: ADUR
    ADUR
  • 25 de mai. de 2016
  • 3 min de leitura

Ocupar para quê?por Pamela Machado Como você imagina um ambiente ideal para se estudar? Você acha que as escolas públicas estão perto de alcançar este ideal? As greves da educação e as ocupações das escolas nos dizem que não estamos nem perto de chegar ao que consideramos mínimo para garantir uma educação de qualidade. Falta material e sobra descaso. No CIEP Brizolão 335 Professor Joaquim de Freitas, em Queimados, desde 11 de abril, alunos uniram-se aos professores grevistas e ocuparam a escola. A Ocupa Freitas é a 19ª ocupação do Estado do Rio de Janeiro. Um dia na #OcupaFreitas Durante a ocupação, alguns alunos dormem na escola, acompanhados de adultos. A convivência é toda baseada na partilha e na divisão de tarefas. Enquanto Thiago cuida da segurança, Matheus conversa comigo. Matheus Santos é negro, gay, tem 17 anos e cursa o 1º ano do Ensino Médio. Ele estuda no período noturno e, durante o dia, entrega quentinhas para ajudar em casa. Mas nem sempre foi assim. O estudante, que se envolve bastante nas movimentações estudantis, não tem boa relação com a Diretora e tem frequentes discussões com uma professora em específico. Uma destas discussões causou a transferência dele para o noturno. - Teve uma vez que, no meio da aula, ela me falou que “macaco tem que enrolar o rabo, sentar em cima e calar a boca”. Outro dia, eu estava conversando com alguém no corredor e disse que queria bombom porque a Páscoa estava chegando. Ela me disse que eu tinha que querer cenoura porque eu gosto de sentar na cenoura. A última briga que tivemos causou a transferência da minha matrícula para a noite, mas dessa vez eu estava errado. Eu fui na sala dela e empurrei a porta para falar com uma das alunas. Como a gente já tinha uma rixa, ela não gostou e a gente começou a discutir. Ela empurrou a porta em mim, eu empurrei de volta e ela disse que iria reclamar na direção. Chegando lá, ela disse que eu falei que a Diretora não ia fazer nada e para mostrar o poder dela, me trocou de turno.   Assim que nossa conversa acaba, percebemos que algumas pessoas não estão na escola. Foram panfletar e avisar sobre o ato que aconteceria na manhã seguinte. Matheus fica chateado por não ter ido também, mas logo encontra outra tarefa. Agora é a vez de Thiago. Thiago Beaker é um dos mais comunicativos. Durante um aulão sobre como empresas lucram em cima dos funcionários, Thiago se mostrou indignado com as desigualdades e apresentou sugestões sobre como deveria ser a distribuição de lucros. Os colegas que no início da aula o chamaram de burro, se espantaram e soltaram frases como “olha só, o TH é inteligente”. Num primeiro momento, TH parece muito bravo e arredio, o típico vilão do fundo da sala. Bastam poucos minutos de conversa e vemos um TH sorridente e com muita vontade de mudar as coisas. - Tem uma professora aqui que fica dizendo “ah, eu não preciso estar aqui, vocês que precisam de mim” e fala que a gente não é nada, ela quer ser melhor do que os outros, quer dizer que é melhor que os alunos e isso me revolta, aí eu falo que então ela pode sair da sala, que se é assim a gente também não precisa, que ela pode ir embora. E ela vai mesmo. Thiago tem 19 anos, está no 2º ano do Ensino Médio e também foi transferido para o período noturno. - Eu estudava de manhã, aí eu disse que ela é incompetente, que não deveria estar ocupando a cadeira de diretora, aí ela me expulsou, disse que não me queria aqui na presença dela. Como não vem de noite e não queria olhar pra minha cara, me transferiu pra noite. Apesar de os estudantes limparem e consertarem tudo o que podem, ao andar pelos corredores, vemos que muita coisa precisa ser melhorada ali. Todas as salas de aula têm condicionadores de ar. Ao lado de cada um, existem pombos fazendo ninhos e pondo ovos na janela das salas.   As ocupações começaram em novembro, com os secundaristas de São Paulo, chegaram ao Rio de Janeiro em março, ao Ceará no fim de abril e ao Paraguai no começo deste mês. Só no Estado do Rio, já são mais de 70 escolas ocupadas.

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