50 anos do golpe militar no Chile
- ADUR

- 11 de set. de 2023
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No dia 11 de setembro de 1973 um golpe de estado derrubou o governo eleito de Salvador Allende, no Chile, instaurando uma ditadura militar comandada pelo general Augusto Pinochet. Allende representava o projeto da Unidade Popular, uma coalizão de partidos de esquerda eleita em 1970 que pretendia criar um caminho próprio de transição para o socialismo.
Durante os três anos que esteve no poder, o governo de Allende estatizou dezenas de empresas, promoveu a reforma agrária, liderou um processo que diminuiu pela metade o analfabetismo do país, entre outras reformas de base. As medidas governamentais foram sustentadas por uma intensa movimentação popular e comunitária, de trabalho coletivo, e organização em cooperativas.
A ditadura que se sucedeu ao golpe militar no Chile foi uma das mais intensas e sanguinárias da América Latina. O regime matou ou desapareceu com cerca de 3 mil pessoas, torturou milhares de prisioneiros e forçou milhares de chilenos ao exílio. Economicamente, o Chile se tornou o laboratório das políticas neoliberais, com a privatização de empresas estatais, ostentação da globalização e, principalmente, uma política de interferência mínima do estado na economia.
50 anos depois, o país vive um momento importante. Após uma onda de manifestações ocorridas em 2019, o governo iniciou o processo para a implementação de uma nova Assembleia Constituinte. No entanto, o texto final apresentado foi rejeitado em setembro de 2022 pela população do país em um plebiscito. Em maio foi formada a nova Assembleia Constituinte, na qual a direita possui maioria.
Relembrar o golpe militar ocorrido no Chile e consequentemente também o governo de Salvador Allende é uma oportunidade de aprendizado sobre as formas possíveis de transformação da sociedade e também sobre a violência que as forças conservadoras são capazes de impor diante de uma política social mais justa.




